A Arte da Comunicação: Uma Lição de Vida
Lembro-me de uma vez, entre uma sala de aula e outra, encontrar-me com um aluno no corredor da escola. Ele, vamos chamá-lo de Pedro.
dro, estava todo empolgado, e ao encontrar-me tivemos o seguinte diálogo:
Pedro: Oi professor! Como se diz “fardo” em inglês?
Eu, naquele momento de muita pressa, simplesmente disse a ele:
Oi Pedro, fardo em inglês é “burden”.
Pedro: Obrigado “profe”.
Na semana seguinte, encontro-me com Pedro, que todo orgulhoso me diz:
Professor, oi! Olha a frase que criei com a palavra que ensinou-me: “I want to buy a burden of Coke.”
Para minha surpresa, e decepção comigo mesmo, entendi e analisei naquele momento qual fora meu erro no processo de comunicação com meu aluno Pedro.
Eu não o ouvi ativamente:
No momento da pressa, assimilei a primeira coisa que ele perguntou-me e respondi. Não parei para analisar as camadas de sua pergunta. O porquê dela, qual seu contexto e como ele gostaria de aplicar na sua vida.
Antes de dar a resposta eu não confirmei com ele, se o que ele perguntou, fora o que de fato, havia entendido. Ou seja, não perguntei a intenção.
Não ofereci a ele um exemplo prático.
Esse é um momento crucial. Deveria ter oferecido a Pedro um exemplo para ele confirmar se a pergunta dele fora respondida diante suas expectativas.
Esse é um típico exemplo de ruído comunicativo e comunicação ineficaz.
Mas por que digo que errei? Vamos retomar à frase de Pedro:
“I want to buy a burden of Coke”.
Relembrando, ele havia perguntado-me como ele poderia dizer “fardo” em inglês.
Minha resposta: “ burden”.
Burden, de fato é “fardo” em inglês, mas não nesse contexto. Ele gostaria de ter expressado em inglês: “eu quero comprar um fardo de coca-cola”.
O meu fardo significa “peso, sobrecarga”. Por exemplo: “Paula é um fardo em minha vida. Não aguento mais a companhia dela.”
Pedro gostaria de ter dito: “I want to buy a case of Coke.”
Ou seja:
“burden” : fardo, peso, sobrecarga.
“case”: engradado.
Pedro então na verdade, gostaria de ter dito: “I want to buy a case of coke.”
No outro dia, notando meu erro, desculpei-me e corrigi o problema. Porém, nem sempre teremos essa chance. A partir desse momento, eu desenvolvi a seguinte técnica para qualquer diálogo que eu venha a ter:
1) intenção (o que eu quero falar)
2) expressão (o que eu de fato falo)
3) objetivo (o que quero que seja entendido)
4) recepção (o que de fato foi entendido)
Vamos aplicar isso agora no meu diálogo com Pedro:
Pedro: Bom dia professor, como eu digo fardo em inglês?
Eu: Bom dia Pedro. Fardo? Mas como como você quer utilizá-la?
Pedro: Eu quero dizer: Eu quero comprar um fardo de Coca-Cola.
Eu: Sim, sim, entendi! Você deve então dizer I want to buy a case of Coke.
Para uma comunicação ainda mais eficaz, eis uma versão completa do diálogo:
Pedro: Bom dia professor, como eu digo fardo em inglês?
Eu: Bom dia Pedro. Fardo? Mas como você quer utilizá-la?
Pedro: Eu quero dizer: Eu quero comprar um fardo de Coca-Cola.
Eu: Sim, sim, entendi! Você deve então dizer I want to buy a case of Coke.
Eu: Agora Pedro, veja, essa palavra pode assumir um outro significado: “peso, sobrecarga”. Por exemplo: “Meu trabalho é um fardo para mim”. Você tem algum fardo na sua vida?
Pedro: SIm, sim! Minha irmã é um fardo!
Eu: Parabéns Pedro!! Agora diga em inglês as duas frases que você criou para mim!
Pedro: “I want to buy a case of coke.” e “My sister is a burden in my life.”
Eu: Parabéns Pedro! Exatamente isso!
Pois bem, esse teria sido o cenário ideal. Mas eu era ainda bem jovem e começando minha vida como educador, e essa passagem, sem sombra de dúvidas, foi a maior lição que aprendi em minha vida como professor: a comunicação eficaz.
Percebam que esse foi um caso específico, porém, se utilizarmos desse recurso em todos os âmbitos de nossas relações comunicativas, a chance do sucesso cresce enormente.
Leitura Adicional
- "A Arte da Comunicação" (Dale Carnegie)
- "Comunicação Eficaz" (John Maxwell)

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